A transição da menopausa é um período marcante na vida da mulher e, muitas vezes, cercado de dúvidas, medo e insegurança. Alterações físicas, emocionais e hormonais podem surgir de forma progressiva, impactando o bem-estar, a autoestima e a qualidade de vida.
Apesar disso, muitas mulheres ainda passam por essa fase sem diagnóstico adequado, acreditando que “é normal sofrer” ou que não existe tratamento. A boa notícia é que a medicina evoluiu, e hoje é possível cuidar dessa fase com segurança, individualização e acompanhamento próximo.

O que é a transição da menopausa?
A transição da menopausa, também chamada de climatério, é o período em que os ovários passam a reduzir gradualmente a produção hormonal, especialmente de estrogênio e progesterona. Essa fase pode começar anos antes da última menstruação e se estender após ela.
Não se trata de um evento pontual, mas de um processo e cada mulher o vivencia de forma única.
Sintomas comuns: quando o corpo começa a dar sinais
Os sintomas da transição da menopausa podem variar em intensidade e apresentação, mas os mais frequentes incluem:
- Ondas de calor e suores noturnos (fogachos)
- Alterações do sono (insônia, despertar noturno, sono não reparador)
- Irritabilidade, ansiedade ou sensação de tristeza (labilidade emocional)
- Cansaço excessivo (fadiga, desânimo, falta de força)
- Diminuição da libido
- Ressecamento vaginal e desconforto nas relações
- Alterações de memória e concentração (esquecimentos, névoa mental)
- Ganho de peso e mudanças corporais (dificuldade de perda de peso)
Muitas mulheres se sentem angustiadas e receosas, sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo, o que reforça a importância de uma escuta qualificada e de uma avaliação ginecológica cuidadosa.

Diagnóstico: a consulta é mais importante que o exame de sangue
Um ponto fundamental e frequentemente mal compreendido é que o diagnóstico da transição da menopausa é clínico. Isso significa que:
os sintomas e a história da paciente são mais importantes do que a dosagem hormonal isolada.
As oscilações hormonais dessa fase fazem com que exames laboratoriais nem sempre reflitam o que a mulher está sentindo. Por isso, a dosagem hormonal não é indicada de rotina e deve ser solicitada apenas em situações específicas, quando há necessidade de diagnósticos diferenciais ou dúvidas clínicas.
Uma boa consulta ginecológica, com escuta atenta, avaliação dos sintomas, do histórico pessoal e familiar, costuma ser suficiente para estabelecer o diagnóstico.
Existe tratamento? Sim — e cada vez mais seguro
Durante muito tempo, a menopausa foi encarada como algo que precisava apenas ser “suportado”. Hoje, essa visão mudou.
A medicina evoluiu, os estudos avançaram e atualmente dispomos de tratamentos seguros e eficazes, especialmente no que diz respeito à terapia de reposição hormonal, quando bem indicada.
O tratamento é sempre:
- individualizado
- baseado nos sintomas
- ajustado à fase da vida
- considerando riscos e benefícios
Além da reposição hormonal, outras estratégias podem ser associadas, sempre com foco em qualidade de vida, saúde óssea, cardiovascular, sexual e emocional.
Avaliação ginecológica completa: o primeiro passo para cuidar

A avaliação ginecológica na transição da menopausa vai muito além de exames. Ela envolve:
- compreensão dos sintomas
- análise do estilo de vida
- avaliação de fatores de risco
- escuta ativa e acolhedora
Com base nisso, é possível iniciar o tratamento mais adequado, respeitando as necessidades e expectativas de cada mulher.
Acompanhamento próximo: parte essencial do tratamento
O cuidado não termina com a prescrição inicial. O seguimento próximo é fundamental para:
- avaliar resposta ao tratamento
- ajustar doses e medicações
- monitorar possíveis efeitos
- garantir segurança e eficácia a longo prazo
Deve existir um plano de acompanhamento estruturado, que acompanhe as mudanças do corpo ao longo do tempo.
Menopausa não é o fim — é uma nova fase que pode ser vivida com qualidade
A transição da menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento, perda ou resignação. Com informação, cuidado médico adequado e acompanhamento individualizado, é possível atravessar essa fase com mais equilíbrio, bem-estar e autonomia.
Cuidar da menopausa é cuidar da saúde da mulher como um todo e isso começa com uma consulta acolhedora, baseada em ciência e respeito.




